Investidor busca novidade para voltas às compras
A relativa calmaria do cenário internacional nos últimos dias permite ao investidor olhar com mais carinho os balanços do segundo trimestre, ao contrário do trimestre anterior, quando a crise na Grécia dividia as atenções. Na média, os resultados estão piores do que no mesmo período de 2011. A disparada do dólar derrubou a linha financeira.
O principal exemplo do efeito da moeda americana até agora foi Petrobras, que contabilizou perda financeira de mais de R$ 7 bilhões, provocando o primeiro prejuízo líquido da companhia em 13 anos. As ações chegaram a afundar 5% na abertura do pregão seguinte à divulgação do balanço, mas se recuperaram com o discurso da presidente da estatal, Maria das Graças Foster, além da promessa de um novo reajuste da gasolina. Mas a lista de empresas afetadas pelo câmbio é extensa: Fibria, Cosan, Itautec, Fras-le, para citar apenas algumas.
A desaceleração da economia doméstica também foi percebida pelas companhias, trazendo impacto no faturamento. A Randon cortou sua projeção de receita líquida neste ano em 17%, para R$ 3,5 bilhões, depois de registrar prejuízo de R$ 4,7 milhões no trimestre, o primeiro resultado negativo da fabricante de carrocerias de caminhões desde 2002. As ações recuaram 2,76% ontem, primeiro pregão após o balanço.
O setor de educação é um dos poucos que não tem do que reclamar. Depois de várias aquisições, Estácio, Kroton e Anhanguera conseguiram ampliar receita, margens e lucro. O setor também se beneficia da falta de mão de obra especializada, o que gera demanda pelos cursos de formação técnica e superior. As ações começam a refletir o potencial do setor. Estácio ON se valorizou 6,5% ontem e atingiu sua maior cotação histórica, R$ 28.23. Kroton Unit ganhou 1,91%, e Anhanguera ON subiu 0,49%, depois de já ter andado 6,7% nesta semana.
Comportamento bem diferente do Ibovespa, que recuou 0,26% ontem, para 58.797 pontos, com giro de R$ 5,7 bilhões, o mais fraco deste mês. Aliás, nas bolsas internacionais, o volume nesta semana está abaixo da média dos últimos cinco anos. A Bovespa seguiu o quadro de indefinição externo e registrou modesta correção, mesmo após a alta de mais de 2% de quarta-feira e dos dados abaixo do esperado divulgados pela China. Nos EUA, as bolsas também encerraram próximas da estabilidade pelo segundo dia seguido.
Na avaliação da estrategista da Fator Corretora, Lika Takahashi, falta motivo para o mercado ir adiante. "Avançamos um degrau [para a linha de 58 mil pontos] e agora a bolsa quer tentar os 60/62 mil pontos, mas nada de novo acontece." O Ibovespa sobe 2,7% nesta semana e 4,8% no mês.
Petrobras PN devolveu ontem apenas 0,84%, para R$ 21,00, depois da alta de mais de 4,5% do dia anterior, mesmo após o ministro Guido Mantega ter descartado um novo reajuste no preço da gasolina. "O Mantega está fazendo o papel dele, para não causar expectativa de aumento da inflação. Mas creio que as chances do reajuste sair neste ano são boas, diante do resultado fraco da Petrobras", avalia Lika. Ela lembra que
não é interessante para o governo que a Petrobras tenha prejuízo, o que afetaria a geração de dividendos para o Estado. "Uma hora a Dilma vai ter que ceder."
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