Usiminas dispara 18%, enquanto Positivo e Rossi despencam; veja destaques
Aumento do imposto de importação beneficia siderúrgicas e petroquímicas; Rossi volta a cair forte com possível oferta de ações
Por Thiago Salomão |17h50 | 05-09-2012
SÃO PAULO - No dia em que o Ibovespa conseguiu mostrar recuperação após ter fechado na sua mínima em mais de um mês na véspera, os investidores se depararam com fortes oscilações de importantes empresas do índice:
no lado positivo, as ações da Usiminas (USIM3, USIM5) roubaram a cena com alta de quase 20% no intraday, por conta do estímulo anunciado pelo Governo; na outra ponta, as imobiliárias voltaram a cair forte, com destaque para Rossi Residencial (RSID3).
Nâo foram apenas ações do Ibovespa que ganharam espaço no noticiário corporativo desta quarta-feira (5).
A Positivo Informática (POSI3) mais que devolveu a alta de 13,7% reportada na véspera, ao fechar esta sessão com queda de 15,56%, valendo R$ 5,32 cada ação.
Na terça-feira, os papéis da companhia subiram com os rumores de que ela poderia ser vendida para a Lenovo e também com o anúncio de que a Positivo pretendia entrar no mercado de smartphones. Contudo, não só a Positivo negou a possibilidade ser vendida nesta quarta como a própria Lenovo anunciou a compra de outro player do setor: a CCE. A notícia frustrou a expectativa dos investidores que esperavam que a Positivo fosse adquirida pela empresa chinesa - ela já havia tentado adquirir a companhia brasileira em 2008.
Assim como no pregão anterior, o volume financeiro movimentado por POSI3 ficou bastante acima da média, totalizando R$ 10,77 milhões - na véspera, esse montante havia sido de R$ 11,32 milhões.
Usiminas: imposto na importação faz ação subir quase 20%
Passando agora para o principal destaque positivo do Ibovespa, as ações da Usiminas responderam com bastante otimismo à mais uma medida do Govenro para incentivar o consumo interno. Na noite de terça-feira o ministro da Fazenda Guido Mantega anunciou a elevação do imposto de importação para 100 produtos, medida que foi aprovada pela Camex (Câmara de Comércio Exterior). A lista abriga setores como siderurgia, petroquímica, química fina, medicamentos e bens de capital.
Diante da notícia, as ações preferenciais classe A da Usiminas subiram 17,97%, fechando a R$ 9,52, após terem chegado a subir 19,58% na sua máxima do dia (R$ 9,65). Os papéis ordinários da siderúrgica ocuparam a segunda posição do índice, com alta de 9,44%, cotados a R$ 10,67. Outras empresas, como a CSN (CSNA3, +8,16%, R$ 10,34) e a Braskem (BRKM5, +5,63%, R$ 13,70) também se beneficiaram positivamente com a possibilidade de uma menor pressão da concorrência de produtos externos e vieram logo atrás entre as maiores altas do Ibovespa.
Em relatório, os analistas Marcos Assumpção e André Pinheiro, do Itaú BBA, explicam que a Usiminas possui 60% de sua receita exposta aos produtos que tiveram aumento nas tarifas de importação. Já as concorrentes CSN e Gerdau (GGBR4, +2,58%, R$ 18,28 ) têm 30% e 5%, respectivamente, o que explica a valorização mais branda neste pregão. Isso acontece porque CSN possui uma elevada exposição ao segmento de minério de ferro e a Gerdau tem uma forte presença em outros mercados, como nos EUA.
Por conta disso, eles elevaram a recomendação de USIM5 para market perform (performance em linha com a média do mercado). "O anúncio de uma tarifa de importação mais elevada pode levar os investidores a reduzirem sua posição underweight ou cobrir as posições vendidas", escrevem em relatório datado na última noite. Sendo assim, no momento as revisões ocorrem apenas para Usiminas, que teve sua projeção do Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) de 2013 elevada em 28%, para R$ 1,77 bilhão.
Importante mencionar ainda o volume financeiro de USIM5, que totalizou R$ 374,35 milhões nesta sessão, o segundo maior da bolsa brasileira nesta sessão, perdendo apenas para a tradicional Vale PNA (VALE5, +1,37%, R$ 32,56), que girou R$ 556,25 milhões.
Rossi lidera perdas de imobiliárias
Na outra ponta do índice, aparecem as ações do setor imobiliário, em especial a Rossi, que fechou em queda de 6,97%, cotadas a R$ 5,07 - na véspera, elas já haviam recuado 9,62%, movimento que se intensificou nos últimos 15 minutos de negociação.
A queda reflete o fato relevante divulgado nesta manhã de que a companhia estuda um aumento de capital privado no valor de até R$ 500 milhões, emitindo ações via subscrição ao preço de R$ 4,50 por unidade.
"A oferta de ações tem um problema de arbitragem e, quando o valor da subscrição não acompanha o valor da ação, acaba apresentando uma perda em relação ao patrimônio, o que é considerado negativo para o mercado", explica o analista Luiz Roberto Monteiro, da Renascença Corretora.
Na cola de RSID3, aparecem entre as maiores perdas do dia os papéis de MRV Engenharia (MRVE3, -2,89%, R$ 11,89), Brookfield (BISA3, -2,26%, R$ 3,90) e PDG Realty (PDGR3, -1,04%, R$ 3,79).
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